Fora do lugar comum: arquitetura com tijolos cinzas e pretos

A canção do grupo inglês Pink Floyd “Another brick in the wall” (Outro tijolo na parede) traz à crítica um sistema educacional alienante e pouco motivador.

As pessoas, ou as crianças, são retratadas como tijolos, por conta de sua homogeneidade, seja na forma de viver ou de pensar em uma sociedade pouco afeita à contestação.

Os tijolos funcionam muito bem nessa comparação, por terem mudado muito pouco na história e pelo mundo em suas formas retangulares.

Mas isso não vale em relação às suas cores.

Ainda que estejamos acostumados a remeter ao vermelho quando falamos de tijolos, há infinitas possibilidades de tons, conforme a composição e o processo de fabricação das peças. 

White Pagoda Temple Hutong Courtyard Renovation / B.L.U.E. Architecture Studio. Image © Zhi Xia

O termo tijolo refere-se a um bloco composto de argila seca, mas agora também é usado informalmente para denotar outros blocos de construção retangulares quimicamente curados.

A composição dos tijolos de argila, os mais tradicionais, conforme aponta Tahsina Alam, em seu artigo para o site Civil Engineering, contém os seguintes ingredientes:

  • Sílica (SiO2) 55%
  • Alumina (Al2O3) 30%
  • Óxido de ferro (Fe2O3) 8%
  • Magnésia (MgO) 5%
  • Cal (CaO) 1%
  • Matéria Orgânica 1%
Unyang-dong Ria’s Two-Family House / Seoga Architecture. Image © Roh Kyung

A argila é um silicato hidratado de alumínio e contém alumina e sílica.

A cor dos tijolos é influenciada pelo conteúdo químico e mineral das matérias-primas, e pela temperatura e o tipo dos fornos.

É por isso que é comum que existam pequenas variações entre lotes de tijolos maciços, que muitas vezes agradam esteticamente aos projetistas.

Quanto mais óxido de ferro na composição, mais vermelho será a peça final.

Quanto mais cal, mais esbranquiçado ele se tornará.

Como abordado neste artigo, “o óxido de ferro fornece a cor vermelha ao tijolo na queima quando há excesso de oxigênio disponível e marrom escuro ou mesmo preto quando o oxigênio está em quantidade insuficiente”.

Abaixo, separamos alguns exemplos de projetos que utilizam tonalidades pouco convencionais de tijolos.

Tijolos pretos

Os tijolos pretos são muito apreciados por sua estética sóbria e minimalista.

A sua história é curiosa.

Em Londres, prédios de tijolos maciços aparentes são bastante comuns, construídos sobretudo durante o século XIX.

Por conta da fuligem presente no ar altamente poluído da Londres da época, os tijolos acabavam com uma tonalidade acinzentada ou até preta.

Com a melhoria das condições após 1956, os prédios que foram limpos retomaram à cor original.

Mas também há como incluir pigmentos à mistura, para tornar o tijolo naturalmente preto. 

Este pigmento de tijolo também é conhecido como óxido de cerâmica negra, óxido de argila negra ou simplesmente K37.

K37 é classificado como uma mancha de ‘manganês férrico umber’, composta principalmente de óxido de ferro, um material não tóxico, estável e de longa duração.

Housing BO / LRARCHITECTES

Housing BO / LRARCHITECTES. Image © Maxime Vermeulen

J House / Christoffersen & Weiling Architects

J House / Christoffersen & Weiling Architects. Image © Tina Stephansen

Seoho-dong Residence / a round architects

Seoho-dong Residence / a round architects. Image © Jooyoung Kim

Wing House / Urban Terrains Lab

Wing House / Urban Terrains Lab. Image © Hyosook Chin

Bruksgården / Petra Gipp Arkitektur

Bruksgården / Petra Gipp Arkitektur. Image © Jens Markus Lindhe

N House / SOSU ARCHITECTS

N House / SOSU ARCHITECTS. Image © Kyung Roh

Dutchess County Studio / GRT Architects

Dutchess County Studio / GRT Architects. Image © Ithai Schori

Casa Caté / S-AR

Casa Caté / S-AR. Image © Ana Cecilia Garza Villarreal

House Embracing Sky / ArchiWorkshop

House Embracing Sky / ArchiWorkshop. Image © Juneyoung Lim

Tijolos cinzas

Em relação aos tijolos acinzentados, geralmente tratam-se de blocos que não utilizam argila em sua composição.

Há três principais tipos: tijolos de concreto, sílico-calcário e de cinzas volantes.

No caso dos blocos de concreto, há diversos formatos que eles podem adotar, com uma coloração característica por conta do cimento na mistura.

Já nos tijolos sílico-calcários, uma mistura de cal, areia e água é prensado e endurecido em fornos sob pressão de vapor.

Neste caso, os blocos chegam a uma coloração cinza clara.

Os tijolos de cinzas volantes são formados a partir de subprodutos da queima de carvão e outras indústrias, consistindo principalmente de cinza volante e cimento.

Pesam menos que tijolos de concreto e argila e, devido às baixas taxas de absorção, suportam bem o calor.

Sua coloração e homogeneidade são extremamente aprazíveis visualmente.

Wildernesses Mews / Morris+Company

Wildernesses Mews / Morris+Company. Image © Jack Hobhouse

Projeto 03 / Kiko Salomão

Projeto 03 / Kiko Salomão. Image © Fran Parente

Unyang-dong Ria’s Two-Family House / Seoga Architecture

Unyang-dong Ria’s Two-Family House / Seoga Architecture. Image © Roh Kyung

De Zonnepoort / evr-Architecten

De Zonnepoort / evr-Architecten. Image © Stijn Bollaert

Brick House in Unjung-dong / Architects601

Brick House in Unjung-dong / Architects601. Image © Young-Chae Park

China Resources Archives Library / Studio Link-Arc

China Resources Archives Library / Studio Link-Arc. Image © Shengliang Su

ARI Apartments / Ola Studio

ARI Apartments / Ola Studio. Image © Paul Carland

Casa VIB / Estudio BaBo

Casa VIB / Estudio BaBo. Image Cortesia de Estudio BaBo

Jinlin Royal Park / Do Design Group

Jinlin Royal Park / Do Design Group

Expresso.arq aobre artigo de Eduardo Souza

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